GUZERÁ

 

MATERNAL

FERTILIDADE:
A elevação dos índices reprodutivos, confirmada pelos diversos programas de melhoramento genético, mostram que o Guzerá também é campeão no quesito fertilidade.

Os touros cobrem a pasto em média 70 matrizes numa única estação de monta, com alta longevidade.

As fêmeas são muito férteis e longevas, dando sua primeira cria dos 24 aos 30 meses e produzindo até os 15 anos em média, totalmente a pasto sem suplementação.

PROGRAMAS DE MELHORAMENTO GENÉTICO:
Atualmente a raça possui dois programas de melhoramento genético tanto para leite, Programa Nacional de Melhoramento Genético de Guzerá, Núcleo Moet, EMBRAPA CBMG/ABCZ, quanto para corte, Programa Nacional de Avaliação Genética da Raça Guzerá para Corte - USP/ANCP.

A FUNCIONALIDADE DO GUZERÁ
O Guzerá é de dupla aptidão, com algumas linhagens definidas para leite e a maioria do gado selecionada para carne. Mesmo as linhagens de leite são de grande porte, tendo já registrado fêmeas, como Francesa-JA, com 853 kg de peso vivo e produção leiteira de 4.500 kg na lactação, ou Potinga-JA, com 750 kg de peso vivo e produção de 5.672 kg na lactação.

Na idade adulta, as fêmeas pesam entre 450-650 kg, com recorde de 941 kg e muitos animais acima de 800 kg; os machos pesam entre 750-950kg, com recordes ao redor de 1.150kg.

Continua em expansão o Programa de Melhoramento Genético do Guzerá para leite, utilizando a tecnologia MOET, em 2 centros. A produção média verificada em Controles Leiteiros Oficiais é de 2.535 kg, para 1.419 animas, até 1997. A maior produtora é "Maricota da Teotônio", com 6.716 kg, seguida por várias outras acima de 6.000 kg. A raça Guzerá é famosa pelo teor de gordura no leite, consagrando-se "Faisca-JA" como maior produtora, com 14,5%, seguida por diversas outras que atingiram mais de 10,0% na produção diária.

Os resultados do Guzerá em termos de animal-de-corte são muito conhecidos, bastando observar os diversos cruzamentos obtidos com a raça. Nas grandes extensões do Brasil Central ou do Centro-Oeste, a rusticidade e a habilidade maternal do Guzerá podem ser atributos valiosos, explicando sua crescente utilização.

GANHO DE PESO DO GUZERÁ
O Guzerá tem conseguido exibir o casamento das principais virtudes zootécnicas, ou seja, um mesmo animal consegue ser muito bonito, muito pesado, muito leiteiro, muito precoce, muito fértil, etc. Talvez por conta disso seja apontada, também, como "a raça mais versátil da atualidade", pela ACGB.

Até 1999,0 Guzerá inscreveu 81.201 animais no CDP-Controle do Desenvolvimento Ponderal, ou 6,19% do total desta prova. Comparando com o rebanho nacional, observa que o Guzerá testou 87,82% de seu efetivo.

O Guzerá nasce pesando entre 28- 29 kg. No Regime (campo), pesa 149 kg aos 205 dias; 200 kg aos 365 dias; 275 kg aos 550 dias. No Regime II (semi-confinamento) pesa 155 kg; 246 kg e 335 kg, respectivamente. No Regime III (confinamento) pesa 174 kg; 275 e 394, respectivamente.

O Guzerá esteve presente em 96 PGP- Provas de Ganho de Peso, entre as primeiras 316 realizadas pela ABCZ, totalizando 1.332 animais. A média de ganho diário na última fase em que participou foi de 886,04 gramas/dia e o Peso Calculado aos 365 dias foi de 366,75. Apresentou 9,09% do total dos animais inscritos nas provas, equivalendo a 1 animal testado para cada lote de 69 portadores do RGN. Comparando o percentual de animais inscritos no RGN e de animais inscritos nas provas, observa-se que o Guzerá provou 821 animais além do que precisava para atingir o equilíbrio entre os dois parâmetros. Foi a raça mais provada entre todas.

O maior Peso Calculado aos 365 dias nas Provas de Ganho de Peso é de "Maab Decente" com 519kg, na Prova n. 282.
Na idade adulta, o destaque é de "Colono-MS", com 1.158 kg aos 47 meses, titulo conquistado em 1997, seguido por "Juramento da Xarqueada", com 1.147 kg, aos 61 meses, no ano de 1988. Entre as fêmeas, o destaque é de "Cachem¡ra-ll", com 948 kg, em 1997, seguida por "laiá da MS", com 865 kg, em 1991.

O GUZERÁ NOS CRUZAMENTOS LEITEIROS
A fêmea leiteira Guzerá apresenta um úbere muito bonito, na média. Os ligamentos são fortes, o úbere do Guzerá é constituído por uma pele fina e sedosa que, quando ordenhado, parece um saco murcho. De fato, o úbere do Guzerá encolhe e praticamente desaparece, como se a fêmea nada produzisse. Um bom exemplo parece ter sido o da vaca "Surpresa-JA" que, depois de viajar mais de 3.000 quilômetros, parecia que não tinha leite algum, no momento do Concurso. Muitos sugeriam não incluir a vaca, para não desprestigiar a raça mas o criador foi taxativo e incluiu a vaca que produziu 16,0 kg e venceu o Concurso, mesmo magra e cansada.

Tourinhos Guzerá são utilizados para consertar os úberes pendulosos e as tetas de tamanho exagerado das vacas leiteiras comuns.

O touro Guzerá leiteiro é multo utilizado como alternativa zebuína nos cruzamentos onde já foi utilizado o touro Gir. Normalmente, utiliza-se o touro Holandês sobre vaca Gir, formando a novilha Girolando (F-1). Esta novilha tem duas alternativas: a) ser cruzada com um touro europeu (Holandês, Pardo-Suíço, etc) formando o % europeu -ideal para regiões amenas; b) ser cruzada com touro zebuíno (Guzerá leiteiro) formando o % zebu - ideal para regiões quentes.

Além desse cruzamento inicial, também o Guzerá leiteiro é francamente utilizado sobre vacada leiteira comum, formada pelo cruzamento de várias raças, para garantir maior firmeza nos sustentáculos do úbere, nos quartos e nas tetas. Além disso, as crias serão de bom porte e multo rentáveis no abate.

Desde o inicio da história do Zebu no Brasil houve cruzamentos entre o Guzerá e as demais raças leiteiras existentes, destacando-se o Holandês, o Pardo-Suíço, o Red-Poli, e outras, bem como com raças de corte como o Durham, o Limousin, o Charolés, etc. Nunca houve, no entanto, um interesse em registrar esse tipo de gado cruzado que, hoje, é chamado de "Guzolando".

No Nordeste, principalmente na região semi-árida, a maioria do gado leiteiro é formada pelo cruzamento de Guzerá com Pardo-Suíço ou com Holandês. Ninguém, no entanto, cogita em registrar as produções, pois a Inconstância climática é um forte desestimulante para as estatísticas.

Somente no ano de 1989 foi aprovado o Regulamento para formação do Guzolando (ou "Guzerando", nome prontamente descartado). A sede da nova raça foi estabelecida em Brasília mas teve pouca atuação. Depois de um período de marasmo, em 1998, decidiu-se pela transferência da sede para a ACGB - Associação dos Criadores de Guzerá do Brasil, em Uberaba (MG).

Talvez o mais importante uso do touro Guzolado seja sobre vacada Girolanda, pois reforça os ligamentos do úbere, corrige o tamanho e direcionamento das tetas. Praticamente toda produção de Guzolando é adquirida por criadores de Girolando.

O touro Guzolando sobre vacada anelorada produz um magnífico resultado no abate. Também é muito utilizado como reprodutor na geração F-2 taurindica, para produção termina¡. O macho Guzolando (F-1) é excelente para o confinamento ou para ser mantido no campo.

O Guzolando é de grande porte, geralmente de pelagem preta ou vermelha, chifres curtos quando não-descornados até a Idade de 30 meses. O úbere é firme, de ligamentos poderosos, permitindo fácil produção acima de 7.000 kg. Principais regiões de Guzolando: Rio de Janeiro, Governador Valadares, Brasília, e todo o semi-árido nordestino, etc. Média de produção: 3.500-5.500 kg/ano com 4,5-5,5% de gordura.

O GUZERÁ NOS CRUZAMENTOS DE CORTE
O Guzerá é uma grande opção que vem sendo descoberta na virada do milênio, para a formação da geração F-2. Normalmente, o pecuarista cruza a vaca Nelore, ou anelorada, com um touro europeu. A novilha resultante touro europeu de outra raça (para terminação em ambiente ameno) ser cruzada com um Zebu de corte (Guzerá, Tabapuã, Gir, etc) - para regiões mais rústicas ou para incrementar a vacada criadeira.

O touro Guzerá vem ganhando a preferência, haja vista a quantidade de neloristas que já produzem o Guzonel para comercialização de tourinhos, como alternativa para outros usos. Também várias associações de criadores de raças européias já determinaram que o Guzerá é a melhor opção para a formação do F-2, como o Limousin, o Caracu, e outras (Santos, 1999).

O Guzerá é a raça mais provada nas 316 Provas de Ganho de Peso já realizadas pela ABCZ. E com bons resultados.
No Brasil e em diversos países, o Guzerá surge então como boa opção para o seqüenciamento de cruzamentos lucrativos. Esta preferência vai garantindo que a raça terá um substancial crescimento no inicio do novo milênio.

Nas vastidões brasileiras, a vaca precisa ter um forte instinto maternal, jamais abandonando a cria. A fêmea Guzerá é inigualável nesse mister, tendo já sido observados casos em que a altivez da vaca expulsou onças e outros predadores da região. Vários pecuaristas já afirmaram que esquentam" o sangue do gado, com Guzerá, para poder enfrentar os predadores naturais.

Os grandes chifres em forma de lira podem até assustar mas as observações mostram que as raças mochas e as de chifres curtos provocam maior número de acidentes, geralmente advindas de raças européias. Afinal, ninguém facilita diante da imponência do Guzerá e, assim, acabam evitando acidentes...

Sem dúvida, não poderia existir a raça Brahman se não tivesse sofrido influência do Guzerá enviado para os Estados Unidos e México nas exportações de 1924/25. Basta observar os principais reprodutores anotados no livro "A history of the American Brahman", de Joe Akerman (1982), pela ABBA (American Brahman Breeders Association). Nos primórdios do Brahman, a influência do Guzerá era quase absoluta, embora também tivessem sido enviados animais das raças Nelore e Gir.

Mesmo consolidando a linhagem "Manso", de fisionomia anelorada, percebe-se - mesmo nessa linhagem - os detalhes típicos do Guzerá nas arcadas, nos olhos, na fronte, nas orelhas, etc. Pode-se concluir que o Brahman, na formação da linhagem "Manso" era um prenúncio do acerto do próprio Guzonel moderno.

Além do Brahman, o Guzerá tem sido bastante utilizado em diversos países (Estados Unidos, Costa Rica, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Venezuela, Colômbia, Equador, Paraguai, etc)

O GUZERÁ BRASILEIRO PARA O MUNDO
Foi o Guzerá que plasmou o gado norte-americano, bastando observar os principais reprodutores anotados no livro "A history of the American Brahman", de Joe Akerman (1982), pela ABBA (American Brahman Breeders Association).

Mesmo na linhagem "Manso", de fisionomia francamente anelorada, percebem-se os detalhes típicos do Guzerá nas arcadas, nos olhos, na fronte, nas orelhas, etc. Assim, não é exagerado afirmar que o touro "Manso" era um protótipo do moderno "Guzonel". Assim como "Manso" e o principal alicerce do moderno Brahman mundial, o Brasil poderá engendrar outros "Mansos" com os eficientes resultados seletivos do moderno Nelore e Guzerá. Ou seja, é possível que no moderno Guzonel venha a surgir também um touro, ou muitos, tão exponencial como "Manso", dessa vez no Brasil.

Outros países também apreciariam fazer a mesma tentativa, formando o "Guzonel" e selecionando em busca do surgimento de novos "Mansos". Um formidável mercado para o Guzonel.

Além de ser utilizado na formação do Brahman, o Guzerá tem sido bastante exportado para diversos países, tais como Estados Unidos, Costa Rica, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Venezuela, Colômbia, Equador, Paraguai, Costa do Marfim, Senegal, Angola, etc. Nestes países, o Guzerá tem servido vacadas de corte, tanto quanto vacadas de leite.

Quando a pecuária de corte mundial estiver "globalizada", o Guzerá terá seu lugar como reprodutor eficaz nos programas de cruzamentos. A tendência da "globalização" na pecuária é irreversível. Modernamente, diversos países já utilizam o Guzerá brasileiro no melhoramento de suas vacadas, principalmente leiteiras (Colômbia, Senegal, México, Venezuela, etc).

Fonte: Revista Agropecuária Tropical